Recebi a uns dias algo em torno de seis ou sete "Desafios da Maternidade" pelo Facebook e Instagram, postagem que demorei por volta de 10 dias para fazer.

Para os que não sabem, o "Desafio da Maternidade" é a versão brasileira do "Motherhood Challenge", um "viral trend" proposto no Facebook para que mães postassem fotos "que a façam felizes por serem mães", e marquem outras mulheres que acreditem serem grandes mães.

A versão gringa do desafio já havia gerado polêmica suficiente, com a postagem de berços vazios e até divertidas fotos de mulheres abraçadas com suas garrafas de vinhos favoritos...

Perdi algum tempo escrevendo um texto que respondesse a três incongruências, a meu ver, do tal desafio: primeiro, não acredito que uma imagem é capaz, por si só, de tornar alguém feliz "por ser mãe". Segundo, porque creio que a maternidade não representa algo tão absoluto e perfeito que pode ser equiparado ao "encontro com a felicidade". Por fim, nunca diria que sou uma grande mãe - aliás, nunca chamaria de "grande mãe", assim, como ares de 1984, a nenhuma mulher. A maternidade tem nuances, tem bons dias e dias ruins, e é uma tarefa que quase todas pretendem exercer com o seu melhor. Todas são mães, no mesmo nível e sem graduações que possam fazer existir, entre as reles mães, um time de grandes...

Depois de postar a minha posição sobre o tal desafio, esbarrei na postagem polêmica onde uma mãe de um bebê de apenas 40 dias de vida, dentre outras coisas,dizia: "amo meu filho, mas odeio ser mãe". Senti  aquele cheiro metálico da tempestade que se formava...

A moça, após dar a cara para bater, foi questionada sobre seus sentimentos por todas as "pessoas felizes" na indigitada rede social. Seu perfil foi fuçado, cada palavra sua usada para fundamentar ou questionar sua condição de "boa mãe". Muitos "google-doctors" concluíram pela Depressão Pós-Parto, e alguns, mais educados comedidos, apenas sugeriam uma consulta a um psicólogo. O caos.

Se a moça teve a intenção de dar rosto para a polêmica, nunca saberei... É uma questão que só cabe a ela, e a minha boa educação nunca me permitiu tratar com estranhos sem "com licenças" e "por favores", e até alguns "me desculpes". Tampouco vejo motivos para fazer perguntas de foro íntimo à desconhecidos. E antes que alguém retruque com essa, nem eu, nem a Lei, acreditamos que o espaço "social" de uma rede capaz de interligar perfis pessoais autoriza o desrespeito às regras da mínima educação. Enfim, só me resta, já que a polêmica tornou-se pública e irrestrita, dizer o tipo de sentimento que a leitura da publicação pública da moça desconhecida provocou em mim...

A maternidade hoje ganhou regras demais. Não basta, mais, ter filhos e cria-los com amor: é preciso, para que uma mãe seja recebida com louvores no mundo materno, que ela saiba "maternar". Desse modo, "parir como Deus quiser" não é mais uma opção, e todo bombardeio de informações sobre a boa maternidade induz à ideia de que as grandes mães precisam do parto natural, de preferência, sem intervenções. A gravidez abre a porta da mulher para um universo novo, um "clube" restrito com linguagem própria e palavreado estranho aos reles mortais. Não estou exagerando. As redes sociais potencializaram o que, no passado, não passava de uma simples conversa entre comadres. Agora todos os assuntos relativos à gestação são discutidos de forma aberta e nada íntima. Para que se tomasse nesse universo a liberdade de estabelecer "certos" e "errados", bastavam duas gotas do bom e velho maniqueísmo.
Imagino, sempre que vejo determinadas discussões "maternais", como seria se uma estranha perguntasse à minha avó, em plena na fila do pão, se "prefere parto de cócoras ou na banheira", se "acha que deve ou não depilar", ou se vai ser "com ou sem episiotomia"...

O grande desafio do mundo vivido em torno das redes sociais é restabelecer os limites entre o íntimo e o público: até onde eu posso opinar dentro da manifestação da vida alheia, e o que efetivamente não me diz respeito.

São dois movimentos simultâneos em redes sociais: a projeção da vida idealizada e desconstrução escancarada dos mitos... Alguns, diante da manifestação tão devassada da moça, acreditaram que sua intenção foi a de desconstruir a farsa da maternidade ideal, puxando as máscaras dos que falam em uma maternidade perfeita.


Uma mãe completamente feliz o tempo todo...


A mim, pouco importa a intenção da moça. Me pergunto, por outro lado, o que leva alguém a desfiar suas mazelas de forma pública, como se cobrasse de um ente invisível a felicidade prometida que não veio, desmascarando a mentira que supostamente lhe foi contada?

O psicanalista Contardo Calligaris, em uma entrevista para a Revista Trip, ressalta a armadilha de buscar cegamente uma "felicidade plena e constante", sem internalizar que o sofrimento e a tristeza são parte importante da vida.


 "O que me interessa sim, muito, é ter uma vida interessante. Uma vida interessante inclui viver plenamente um monte de momentos infelizes. (...) Se ser feliz é renunciar à variedade das experiências altas e baixas, que incluem sofrimentos, quando se perde um ente querido, alguém me deixa ou meu filho está doente, então não quero ser feliz".
Porque é tão complicado acreditar que viver algo difícil pode conter, ainda assim, alegria, felicidade...? Porque a falta de preparo para o difícil - a pouca percepção de que algo difícil pode ser bom, e de que pode ser bom exatamente por ser difícil...?

Era o que dizia Rainer Maria Rilke: um trechinho pode ajudar:


"Os homens, com o auxílio das convenções, resolveram tudo facilmente e pelo lado mais fácil da facilidade; mas é claro que nós devemos agarrar-nos ao difícil. Tudo o que é vivo se agarra a ele, tudo na natureza cresce e se defende segundo a sua maneira de ser; e faz-se coisa própria nascida de si mesma e procura sê-lo a qualquer preço e contra qualquer resistência. Sabemos pouca coisa, mas que temos de nos agarrar ao difícil é uma certeza que não nos abandonará. (...) O fato de uma coisa ser difícil deve ser um motivo a mais para que seja feita. (…) O pesado e o difícil, contanto que o carreguemos corretamente, também indica o peso específico da vida e nos ensina a conhecer a unidade de medida de nossas forças, com a qual daí em diante também podemos contar quando nos sentirmos felizes e bem-aventurados”.

Como explicar a uma geração inteira que parece não compreender a importância do sofrimento para o sucesso nas relações pessoais e profissionais, que talvez circunstâncias alheias à vontade geral não permitam o parto na forma pretendida, ou que as feições do filho podem não ser exatamente aquelas imaginadas, que independente de toda a ajuda recebida e toda tentativa em minimizar-lhe o sofrimento, haverá uma carga pesada que precisará carregar sozinha, e, finalmente, que ser mãe não é algo que se obtém para si, mas uma (difícil) tarefa exercida apenas PARA O OUTRO?

O sofrimento na maternidade não contém nenhuma novidade. Todavia, não poder dizer que se é feliz o tempo todo transformou-se no novo mal do século.


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A minha resposta ao #desafiodamaternidade está na fanpage do blog, aqui.

O livro do Rilke chama-se "Cartas a um Jovem Poeta".

O debate com o Contardo Calligaris pode ser visto aqui.
Uma Festa para Dois Piratas - o Resultado!

A vida anda corrida, louca, cheia de projetos fantásticos para colocar em prática - e o tempo de vir até aqui mostrar a finalização e os detalhes da festa pirata foi ficando curto...

Decidi, então, mostrar logo o resultado da festa! Foi tudo muito gostoso, pessoal e "arrr"! As crianças literalmente PIRARAM com os pequenos detalhes da decoração e a única tristeza que senti foi por não ter comprado mais moedas de chocolate! Entra ano, sai ano, e moedas de chocolate sempre fazem a alegria da festa!

Esse foi a nossa mesa principal finalizada:

Visão Geral

A festinha aconteceu no Salão de Festas BibiBoom, aqui em Curitiba. As fotos são da Elen Barreto Fotografia.


A rede colocada sobre a mesa foi comprada no AliExpress - o material é de excelente qualidade, mas o produto chegou com um cheirinho estranho... Todavia, com bastante sol sobre ela, o cheirinho foi embora e a rede deu um efeito único sobre a mesa.


O bolo de tecido, que fiz nessa postagem, já decorado, foi ornamentado pelos biscuits feitos pela Rose Oliveira, que usou as imagens que eu mesma produzi dos meus piratinhas... As espadinhas sobre a fita de juta no primeiro nível (de baixo para cima) foram compradas em uma loja de festa, e o tapa-olho do segundo nível recortado de um pequeno retalho de feltro, fixado sobre ele a caveirinha em papel. O acabamento foi feito com uma fita de veludo, e tudo foi fixado com cola de silicone líquido.

O último nível do bolo foi forrado de uma forma um pouco diferente, pois eu queria que ele se parecesse um lenço de cabeça... Depois de forrar o isopor com o tecido bandana vermelho, cortei uma faixa do mesmo tecido, apenas um pouco mais larga do que a altura o cilindro, e fiz então a "bainha" com a mesma cola branca usada para forrar. Passei a faixa ao redor do cilindro, encolhendo um pouco no centro do tecido, fazendo o acabamento com um nó de lado.

Eu e a Rose tivemos uma pequena falha de comunicação, e ela não compreendeu que eu queria uma ilha logo embaixo do coqueiro... Como a minha mãe trouxe os biscuits na véspera da festa, tive que improvisar uma base para ele: usei essas "pedras" - que são parte de um trabalhinho manual feito pelas crianças na escolinha - presas no topo com uma mistura de açúcar e cola branca, cuja intenção era imitar a "espuma" do mar... Não estou certa se foi a melhor escolha, mas à noite, e às vésperas da festa, poucas ideias me vieram... :/


 Coloquei na mesa algumas dessas bússolas de plástico, que também são compradas no AliExpress. Não sei se, com o dólar alto como está, ainda vale a pena comprá-las no site, mas encontrei algumas parecidas em lojinhas do centro da cidade.


 Essas letras em MDF foram compradas a muito tempo na lojinha online Mix3Arts, e desde então venho forrando e desforrando elas conforme a necessidade... A base foi forrada com papel contact preto, e as letras com restos do tecido adesivo usado no mural de recados sobre o qual já falei aqui.


Os pequenos tapa-olhos nas letras foram feitos também com feltro preto e fita veludo, essas mais fininhas. As moedas plásticas espalhadas sobre a mesa também foram adquiridas no Aliexpress, mas também já encontrei delas sendo vendidas em casas de festa, por um preço bem similar, inclusive.


Gosto muito de usar Chocomilks em festas, porque algumas crianças têm o costume de tomar um leitinho à noite... Os restos de tecido bandana serviram, aqui, para disfarçar a tampa da garrafa de Chocomilk, que é laranja.

Bandeirolas
Leques de Papel

Os leques de papel foram feitos conforme passo a passo publicado no blog Casa com Amor - e eu adorei! Simples e delicados, fazem toda a diferença no fundo da mesa e dispensam muitos gráficos!

Garrafinha feitas com caveirinhas de papel, fita de juta, palitos e tecido listrado!


Usei muitos dos brinquedos das crianças na decoração. As trouxinhas de bombom em tecido foram colocadas ao redor do barco, fazendo às vezes de "mar"...

Pirulitos de Benício!

Os tubetes estavam bem singelos, e as crianças adoraram colocar os "tubetes-pirata" para lutar! A tampa foi decorada com uma fita simples, colada com silicone líquido. Um pedaço de barbante de juta foi amarrado no centro do tubete, segurando a espada como um cinto; no topo, um triângulo de tecido bandana fez o acabamento. A "frente" do "lenço" tinha um pequeno pedaço de fita dupla face, para evitar que o tecido escorregasse na superfície do tubete.

As águas da linha Diamond da Maceratti têm esse visual de diamante bruto, e um ar de tesouro de piratas.


Os espetos com marshmallows foram cobertos em parte com chocolate derretido e embalados em sacos plásticos transparentes, com um pequeno laço de acabamento... No centro, outra vez um barbante amarrado com um pequeno aplique no detalhe. Os chapéus de pirata no topo foram impressos na gráfica, já com o recorte, e então presos com fita dupla face.

Comprei os canudos com a estampa de caveiras também no Aliexpress. O pote com os canudos é uma embalagem de molho de tomate reusado, com um pedaço de tecido listrado desfiado nas pontas ao redor e um barbante vermelho "na cintura". No detalhe, o aplique de âncora. Os bauzinhos dourados foram comprados em casas de festa locais. O porta-retratos vintage dá uma cor na mesa auxiliar e as boas-vindas aos convidados!


Esses porta-retratos hoje são fáceis de encontrar em lojinhas de objetos decorativos para casa, mas eu tenho os meus desde quando morávamos ainda em Roraima... Na ocasião, vi ele em cinco cores diferentes na vitrine de uma loja local e me apaixonei. Comprei na hora os cinco para decorar a parede do quarto de visitas da nossa casa - e desde então, tenho "assaltado" essa parede para usá-los nas mesas das festas dos meninos...

Os cupcakes da festa foram feitos por mim, usando forminhas do Aliexpress e massa pronta de chocolate:


Também no Aliexpress foram compradas as formas de silicone onde coloquei o resto do chocolate derretido usado nos marshmallows e fiz essas caveirinhas "não-tão-bonitas-quanto-gostosas" - acabaram super rápido!


Para o centro das mesas, usei garrafas reutilizadas de cerveja. Todo material usado para decorá-la (tecido, barbante e rolhas) foi comprado em lojas do centro de Curitiba. No detalhe, o mapa do tesouro contendo " uma mensagem querida para os convidados" que fizemos nesse post:


O bolo, como eu disse no post anterior, foi servido em potes personalizados, o que foi ótimo, porque cada um comeu quando quis, ou levou para casa, o que diminuiu muito a quantidade de sujeira a ser recolhida das mesas depois da festa!


 Para as lembrancinhas, o Heitor fez absoluta questão que houvessem sacolinhas com brindes e guloseimas, que ele adora. Eu apenas acrescentei uma squeeze personalizada, para dar um toque de utilidade permanente à lembrancinha - o que eu mesma fiz questão...



Bem, esse foi o resultado da festinha para os dois piratinhas daqui de casa! Fiquei muito satisfeita e feliz com o resultado, e, principalmente, com a felicidade das crianças na festa.

Nos posts seguintes, vou tentar ir mostrando alguns passo-a-passos dos itens na mesa - se alguém tiver interesse em um item específico, basta dizer que "antecipo" a publicação, OK?

Buenas e até a próxima semana!
Montando um bolo falso e preparando o Mapa do Tesouro!


Cá estou eu de volta, depois de dois meses sumida! Infelizmente, a trilogia "estudo-mudança-festinha" me deixou absurdamente atarefada e sem condições de escrever aqui.. :(.

No entanto, não deixei de tirar, a cada nova "invenção", a cada projeto terminado, fotos de cada passo na feitura das "arteirices", para poder compartilhar aqui a delícia que foi fazer cada coisa da festinha pirata em casa, no melhor estilo "do it yourself"! <3

Vou reestrear as postagens sobre a festa pirata com o BOLO FALSO... Desde que provei os deliciosos bolinhos no pote da Amor em Potes, desejava servi-los na festa aos meus convidados. A minha primeira ideia era dar a opção aos que se empanturram de salgados como eu que não comem o bolo na festa de poder levá-lo para casa e comê-lo depois,,, Mas também adorei a ideia de fazer diferentes sabores, e de acrescentar um deles sem lactose, como um mimo aos intolerantes.

O nosso bolinho ficou assim:


O bolo foi um sucesso tremendo! E estava muito gostoso!

Todavia, precisávamos de um representante para a mesa. Minha primeira ideia foi usar um bolo falso alugado, mas não gostei dos poucos que achei (a maioria era mais apropriado para Peter Pan ou Piratas do Caribe), de modo que acabei decidindo fazer um eu mesma. Mas não sou a pessoa mais habilidosa do mundo para trabalhar com EVA, e nem vou comentar sobre a minha falta de tato com a pasta americana... :(

Foi quando encontrei diversos tutoriais no You Tube ensinando como forrar um bolo em tecido!

Feliz! :D

São muitas formas de forrar o bolo em tecido, e, claro, essa forma muda quando usamos diferentes tecidos... O cetim, por exemplo, é um tecido difícil, que precisa ser usado com mais cuidado...

Nesse passo a passo que fiz, usei tecidos mais encorpados, 100% algodão. Um deles é o "piquetzinho", e os outros dois são tricoline. Creio que as medidas dos círculos eram 15, 25 e 35 cm (ou algo assim, agora não tenho mais certeza...). Recomendo comprar bases já moldadas em isopor (já lixadas), pois apesar de mais caras, são mais fáceis de trabalhar!

Para a base nas fotos eu usei mais ou menos um metro de tecido, mas comprei 1 metro e 30 cm para evitar que fosse necessário fazer emendas na lateral... Para o segundo nível eu usei um metro, e para o nível mais alto, usei apenas meio metro e foi mais do que suficiente! Para colar, cola branca Cascorez Extra e um pincel.

O primeiro passo é cortar o tecido no tamanho do nível do bolo que será forrado...


Passei então a cola com um pincel e fui assentando o tecido...
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Recortei então o excesso (observem que sou exagerada, dá pra considerar a economia desse pedaço enorme que cortei a toa...!)

Na "sobra", é preciso fazer pequenos cortes, mas com cuidado para não "subir" muito o corte, pois poderá ficar visível depois!
Na segunda parte, será preciso cortar uma faixa grande de tecido que "circule" toda a lateral da base de isopor com uma pequena sobra... Para isso basta marcar usando a própria base, e daí cortar o tecido deixando uma sobra para cima e para baixo, e uma pequena sobra para um dos lados.

Em seguida, de preferência com a ajuda de um ferro de passar, fiz uma dobra no tecido, uma "bainha" na parte superior que ficaria sobre a emenda com o tecido do topo e também em uma das laterais, para fazer o acabamento. Será preciso "marcar" as dobras da bainha com o ferro, e em seguida, passar a cola suavemente com um pincel. 

Passar a cola em toda a extensão da "bainha" da lateral, apenas em um dos lados...

 No meu exemplo, ainda foi preciso depois cortar com uma tesourinha a sobra desfiada do tecido para dentro, que estava fazendo volume:


Será preciso então passar cola na lateral e ir fixando o tecido, pouco a pouco, começando pelo lado que não tem bainha, deixando a bainha lateral para o acabamento. É importante também deixar a "bainha" superior bem rente à borda superior do cilindro.

Fixando a lateral
A melhor posição para aplicar a cola na lateral... Suja um pouco a mesa, apenas... 


Depois de aplicar todo o tecido na lateral, será necessário fazer o acabamento. Eu sugeri dobrar o tecido antes, porque deixei as laterais dele já no tamanho certo, mas admito que, ainda que seja mais "limpo" dessa forma (já que ao aplicar o tecido na lateral, a cola das bainhas já estará seca), o jeito mais seguro é fazer a "bainha" na lateral nesse momento, para garantir que ficará certinho.

Enfim, fica como uma opção, principalmente para as primeiras tentativas:

O acabamento, com a bainha lateral!

Agora será preciso virar a base de ponta-cabeça para fazer o acabamento embaixo. Para isso recomendo deixar o bolo secando por um tempinho, pois manuseá-lo com a cola ainda fresca é muito chato... Assim, depois de seco, vire-o de ponta-cabeça e faça, novamente, pequenos cortes na "sobra" de tecido, como na foto:



Passe a cola em cada pedacinho e "assente", da mesma forma como foi feito na colocação do tecido do topo...


O bolo está pronto para decorar!!

Para a decoração, eu usei fita de juta, duas das mini-espadinhas dos doces e tubetes (foi BEM difícil prendê-las dessa forma, e acho que hoje usaria um aplique de âncora ou algo parecido...!), uma fita de veludo preta e um pedacinho de feltro cortado em forma de tapa-olho... Os enfeites foram presos com cola de silicone líquido, salvo as espadinhas, que tive que prender como cola quente...!

Para "visualizar" como ficaria depois de colado, usei alfinetes, que não estragam o tecido, nem o isopor...! 

Como em todos os anos, encomendei os biscuits PERFEITOS da Rose Oliveira, mas ao abrir a embalagem, percebi a falha de comunicação - eu achava ter pedido uma ilha, mas a Rose não mandou a ilha... Bem, ela saberá disso por aqui, porque nem cheguei a contar a ela que esperava uma ilha... :D Corri e improvisei, como é do meu feitio... Achei duas "obras de arte" do Benício, esses supostos "pesos de papel" feitos em argila, riscadinhos de lápis, e rapidamente enxerguei pedras...! Acho que as "pedras" seriam suficientes, mas resolvi ir além e misturei açúcar cristal com cola branca, e apliquei em volta das pedras e do coqueiro.

Inicialmente a aparência ficou horrível, e pedi ajuda às minhas amigas sobre o que fazer... Uma delas sugeriu esmigalhar um dos cupcakes de chocolate da festa (que ainda renderão uma postagem pela qual estou ansiosa, "como fazer cupcakes sem qualquer habilidade") e colocar sobre a "cola açucarada"... Reservei o cupcake e decidi apenas ter paciência e espera a cola secar...

Por muita sorte, no dia seguinte, já com a cola seca, o açúcar se destacou e a aparência ficou muito mais interessante...! Ainda assim, sendo o céu o limite, tentar o bolo de chocolate esmigalhado (ou mesmo de baunilha, para usarmos uma cor mais próxima da areia da praia...) não é uma má ideia, não...

Essa foi a aparência com a cola molhada, que me apavorou... :(
Por fim, o resultado final do bolo, já com meus piratinhas lindos feitos pela Rose, as velas e o coqueiro em biscuit, o "peso de papel" transformado em pedra, o açúcar-areia e um pequeno tesouro encontrado entre os brinquedos das crianças...!

Detalhe da mesa dos piratas!

Já recebi um pito de uma amiga por não ter feito o passo a passo do nível superior do bolo, que recebeu esse forro de bandana. Falta minha... Realmente, achei que seria mais producente publicar as fotos da montagem da base maior, que costuma dar mais problemas...! Não pensei que o topo tinha mais "novidades"...

Para me redimir, vou explicar rapidamente como fiz.

O nível mais alto do bolo (que chamarei de "bolo-bandana") foi forrado normalmente, como os demais... Em seguida, cortei outro retângulo, parecido com o forro da lateral, mas mais largo e mais comprido... Amarrei esse retângulo sobre a lateral do bolo-bandana, "franzindo" o tecido levemente, e dando o nó lateral como acabamento.

 Não podia deixar de registrar que estão na foto os cubos cujo passo a passo já mostrei na PARTE I, com os tampos de vidro que encomendei na vidraçaria - ficaram firmes e fora muito úteis! Imaginem que a decoradora colocou sobre eles cachepots com pirulitos e mesmo assim, estavam perfeitamente firmes.

Agora, passemos aos Mapas do Tesouro...

O Heitor fez questão de Mapas do Tesouro, e lá fui eu para o Google tentar descobrir como fazer mapas interessantes...

Segue o passo a passo da coisa mais complicada que fiz para essa festa! Por sorte, os mapas fizeram o maior sucesso e decididamente não senti que foi tempo perdido, pelo contrário - fiquei muito feliz de tê-los feito.

Os mapinhas ficaram ao lado do centro de mesa, enroladinhos. A ideia era que cada convidado os abrisse e lesse a mensagem simpática:

<3

A impressão foi feita em papel couché 300 ou algo próximo - inicialmente achei muito grosso, mas acabou dando certo, porque os banhos deixaram esse muito molinho!

Primeiro, cortei a folha simplesmente marcando com dobras...




Daí mergulhei cada uma das folhas em café, dando um banho em cada uma delas:



É importante deixar que o café manche bastante a folha, e por isso, não dá para escorrer muito...! Usei, assim, umas janelas basculhantes da área de serviço para isso, deixando elas semi-abertas, de modo que os mapas ficaram na diagonal - o café escorreu, mas não completamente, o que deixou manchas na superfície...

Na falta de uma janela basculhante segura, qualquer superfície inclinada serve!

Depois de bem secos, os mapas ficaram assim:



Agora a parte mais complicada: dar a aparência de rasgado às laterais... Tive então que queimar as bordas com MUITO cuidado, usando uma vela, sem deixar que o papel queimasse mais do que o suficiente para deixar as bordas irregulares... Foi bem trabalhoso, o cheiro ficou terrível, mas a aparência ficou ótima...



Depois de banhar no café e queimar as bordas do mapa, a aparência estava ótima, mas o cheiro, insuportável.. Foi preciso mais umas doze horas no varal para melhorar esse detalhe...

Por fim, bastou enrolar o mapa e amarrar com um barbante!

Mesmo sem saber ler, muitas crianças curtiam desenrolar os mapas e procurar "tesouros" pela festa...!

Vou encerrar por hoje, porque essa postagem já ficará IMENSA e ainda tenho muita coisa para mostrar da festinha dos piratas...!

Um abraço e boa semana! :)

Como Organizar a Rotina da Casa.

Em agosto eu publiquei aqui o projeto do mural de recados fofinho que construí para o Command Center da família.

Para quem não conhece o conceito, recomendo uma excelente postagem do blog Transformando Espaços, que também trouxe diversas inspirações muito funcionais!

A ideia, enfim, é ter um cantinho na casa onde centralizar compromissos, itens de uso diário, aquilo que trazemos da rua e que precisamos levar quando saímos, dentre outras coisas parecidas.

Comecei com o mural de recados, e a intenção era que, além de funcional, o cantinho ficasse decorativo e com a cara da família!

A minha primeira parada foi a loja Santa Composição, Lá testei e testei quadrinhos, combinando com as ideias que tinha já na cabeça, e com alguns móveis e itens que tinha em casa e queria aproveitar!

Vou começar mostrando o resultado, que me deixou MUITO feliz:



Apesar do CAOS que habita nesse canto tão útil, ele permanece visualmente agradável e alegre!

Um grande problema aqui em Curitiba são os sapatos e casacos na chegada em casa... A chuva não é pouca, e o clima é ligeiramente louco... Muitas vezes precisamos utilizar calçados pesados e quase sempre eles chegam em casa cheios de lama.. Antes do nosso cantinho delimitado os casacos eram jogados sobre as cadeiras e os sapatos, se acumulavam na entrada da casa...

Um dia então, passando na Balaroti, encontrei um cesto bonitinho que achei que funcionaria com sapatos. Fiquei um tempo tentando decidir entre um caixote estilo "feira" e o cestinho, e acabei levando ele.

Mas não funcionou.

Acontece que o cesto redondo não era adequado para as galochas... As crianças têm aula de horta duas vezes na semana, de modo que dois pares de galochas permanecem no cesto quase diariamente.

O cesto, então, foi relocado e transformou-se em peça decorativa acolhendo as complicadas revistas!

Nós ainda pertencemos ao time de seres jurássicos excelentes leitores que compram revistas impressas, mesmo depois da internet - mas desde que nos conhecemos como casal, não sabemos bem o que fazer com elas! Já tentei criar um "álbum de recortes" com as matérias que mais gostamos em cada revista, nos livrando do resto... Muitas, todavia, foram eleitas "na íntegra" e não conseguimos desapegar delas. As três caixas de revistas viraram uma pequena pilha, e essa pilha virou então esse cesto bonitinho... É meio difícil encontrar uma edição específica nele - mas todos nós sabemos que RARAMENTE as edições antigas são consultadas e que no fundo é só apego bobo... Então, em caso de necessidade, teremos algum trabalho, mas no dia a dia, as revistas ganharam um toque belo e servem de "apoio para celulares e tablets", que costumam ficar carregando na tomada logo acima... :D

Os "rolinhos" de revistas em um cesto...

...e a utilidade encontrada pelos guris! ;)
Restava, então, acomodar os sapatos!

Voltei, então, ao cesto de frutas. Munida da minha inseparável fita métrica, voltei na Balaroti e conferi todos os caixotes - pois não tinha um que se encaixava perfeitamente embaixo da escrivaninha reaproveitada e ao lado do baú preto garimpado?

Preciso registrar que esse baú foi uma daquelas coisas desesperadas que a gente compra para acomodar o "fim da mudança". Depois que vim de Roraima para o Paraná, precisei acomodar as tantas coisas que guarneciam a nossa casa lá em um apartamento duas vezes menor... Um suplício! Como procurei planejar ao máximo "o-quê-vai-aonde" desde lá e já antes desapegar de tudo que não tinha o seu lugar (um exercício doloroso sobre o qual preciso falar aqui um dia...), quase tudo foi devidamente acomodado... Salvo duas caixas indecisas, recheadas daquelas coisas inclassificáveis que nunca sabemos onde enfiar!

Com essas caixas na mente, esbarrei nesse baú exposto na porta de uma lojinha, passeando pela Santa Felicidade em uma das visitas dos meus pais!

Ele estava avariado em um cantinho, mas era um detalhe tão imperceptível que só foi mesmo aparente na hora da pechincha.

E desse jeito o baú permanecia, aportado em um canto da sala, entulhado de pequenas coisas que gradualmente fui acomodando...

Foi então que decidi montar o Command Center e o baú garimpado, já desentralhado, foi escalado para a "repescagem"!

A intenção dele embaixo da mesa é ser um lugar onde podemos sentar para tirar e calçar os sapatos, podendo ser usado eventualmente como assento para uso da mesa para escrever ou digitar, servindo ainda como arquivo daquelas coisas que usamos eventualmente, como bombas de encher infláveis, pilhas para brinquedos e papéis para desenho...

Baú avariado vira banquinho!


Voltando, então, à caixa de sapatos, comprei feliz o meu caixote já pintado e comecei a usar. Ele ficou excelente com os sapatos! Mas tive então a ideia de decorá-lo com uma plaquinha explicativa...

Lembrei de ter visto em uma molduraria, certa vez, pequenos "porta-retratos" sobre o balcão, que achei bem fofos. Perguntei para o que eram, e a dona contou que o cliente iria usar para sinalizar preços em vitrine. Pensei, então, em usar o mesmo adesivo "contact" fosco usado no presente da professora dentro dessas moldurinhas, e escrever nela com a caneta de giz líquido da qual também falei na mesma postagem anterior. Funcionou, ficou muito fofa, e pasmem, custou 6 vezes menos do que a plaquinha parecida vendida em uma loja online! E cumpriu seu propósito!


A única dificuldade foi colar, porque tentei primeiro a fita dupla face super forte para quadros, que sempre funcionou bem... Mas aqui não deu muito certo, então na terceira vez que as crianças arrancaram, eu apliquei cola forte de artesanato e segue firme no propósito.

Já os casacos passaram a ser pendurados no gancho que antes, em Boa Vista, era usado apenas para bolsas - clima diferente, uso diferente! Esse gancho é em V, muito resistente, e eu adoro!



O toque especial ficou com a decoração de parede da Tok&Stok.

Esses dentes-de-leão têm uma história engraçada, porque quando fui pagar a compra no caixa da loja daqui, o vendedor disse: "sabe que eu achava que eram araucárias, mas parece que não é...?"

Achei uma delícia! Para quem não sabe, as araucárias são um xodó curitibano, e CERTAMENTE são mais presentes por aqui do que os dentes-de-leão...

Enfim, nada mais condizente com as japonas e casacos do que araucárias voadoras, ops, dentes-de-leão flutuando...! :D

A parede começou a ser montada a partir do porta-chaves da Certas Coisas Vintage comprado a muito tempo e amplamente usado:



 Ao lado dele, alocamos os quadros escolhidos na Santa Composição! O douradinho, decorativo, é na verdade um porta-retratos colado com fita adesiva própria para quadros. A estampa nele veio da loja e não tive coragem de mudar... <3

O espelho é idêntico ao mural de recados que mostrei passo a passo como foi feito na postagem anterior, antes da alteração - apenas um pouco menor.


O quadro de recados na mesa foi "repescado" da cozinha, e adquirido a bastante tempo, ainda em Roraima. Chamava-se "Porta-bilhetes Caderno" e é da Imaginarium.

A "semana" também em lousa branca foi colada depois (daí a ligeira desarmonia...), mas estava perdida na pilha de tralhas dentro do baú, então decidi aproveitá-la! Originalmente tinha uma máquina de escrever embaixo, mas o acrílico rasgou na viagem, então "tesourei" a pobre decoração...

Depois que fiz o mural de recados, o espelho que antes estava na moldura azul ficou sem uso, então tive a ideia de cortá-lo seguindo o mesmo formato da plaquinha em ferro comprada com as molduras. Foi superbaratinho (o meu vidraceiro cobrou dez reais para cortar), ficou lindinho e ainda reutilizamos um material abandonado (tudo que mais amo fazer!).

Caso queiram fazer igual, basta imprimir uma moldura qualquer no formato (eu encontrei essa no Google Imagens, pesquisando por "frames") e no tamanho desejado, e pedir com jeitinho ao vidraceiro... O detalhe da cordinha foi feito com um resto de tiras de couro trançado, material vendido em lojas de material para bijuterias. Existem diversas cores disponíveis no mercado.

Ao lado do espelho reutilizado e da plaquinha, nada mais óbvio que um coração...

Esse coração eu fiz inspirada por alguns que estavam à venda na mesma loja dos quadrinhos, mas que não eram exatamente como eu queria. Então corri em uma loja de tecidos, comprei o material e caí na máquina de costuras...

Escolhi os tecidos, os aviamentos (fita de cetim bem fininha dupla face e grelô) e desenhei um coração e recortei para fazer um molde...

Costurei as partes do coração pelo avesso, e então "assaltei" uma almofada da casa e "emprestei" um pouco de manta acrílica do recheio... Fechei a abertura com pontos invisíveis...



Fiz pontos abertos com linha de bordado, prendendo a fita de cetim sobre o grelô e contornando o coração!

Esse é o lado avesso dele - para mim, igualmente lindo e passível de ser usado quando enjoar da estampa frontal...!

Ele é o meu xodó. Foi feito inicialmente para o Desafio do Dia da Amizade da Vila do Artesão, e por isso se chama "confra-coração", em homenagem a amigas de longa data...



Espelho amado que quase rendeu um abraço no vidraceiro e confra-coração! 

Em cima da mesa, além do porta-bilhetes, coloquei alguns objetos decorativos, livros sobre organização e um "bowl" - uma cumbuca fofinha onde filhos-marido-e-porque-não-você jogam pequenas coisas que costumavam ser arriadas sobre a mesa...


Para ser bem específica, esse "bowl" é em verdade um cachepô, comprado também na Tok&Stok e usado como me convinha...! :)

Um porta-lápis gigantesco da marca Home Style comprado na Camicado...



Eu realmente não suportava mais ver lápis infantis espalhados pela casa, então, democraticamente, abri espaço para eles na sala...

Por fim, mais uma invenção de reuso, o porta-cartas que na verdade porta tudo que é tipo de papel feito de caixa de sapatos reutilizada...


 Infelizmente, como não colocava fé que daria certo, não fiz um passo a passo muito claro da confecção dela! :( Mas pelo menos guardei algumas fotos no celular do "esqueleto":


A caixa de sapatos masculina foi cortada no centro em forma de V invertido, dos dois lados... E então foi "dobrada", bem no centro. As laterais foram cortadas da tampa e presas com fita crepe, que também prendeu todas as frestas...


Caixa sem forro...


Depois, usamos um papel de presente e cola spray (cola e descola) para forrar toda a superfície! O papel de presente é meio difícil, mas mais em conta. Para um melhor acabamento, acho mais simples usar tecido adesivo...

Esse, então, é o nosso "espaço para tudo", o centro de comando do nosso lar, onde nos comunicamos sobre compromissos e agenda, onde registramos as tarefas e arriamos as coisas trazidas da rua!

Ainda não está 100% completo - digamos que 95% - porque ainda desejo colocar um espaço para guarda-chuvas (só São Pedro sabe porque chove tanto nessa terra...!) e ganchinhos para as mochilas das crianças (que hoje ficam lado a lado logo abaixo dos casacos).

Por enquanto, o espacinho segue vazio, habitado somente por um pequeno banquinho, que serve para lembrar aos pequenos que é preciso sentar, guardar as mochilas e tirar os sapatos na chegada! :D

Cantinho da Disciplina para botas enlameadas...

A verdade é que não há lição mais feliz e duradoura do que ensinar aos filhos que é possível ser belo e colorido e, simultaneamente, organizado e funcional... Que as coisas não se excluem, que podemos ter asas e chão...

Sejamos felizes e coloridos! :)


*Para ler a parte I, acesse "Um Command Center para chamar de meu (II)".