Mãe de Dois.

por 02:04 0 comentários

Republicação da postagem de 08.04.2013.

Selecionei algumas postagens especiais do antigo blog para "revisitar" no blog novo... Não era a intenção trazer absolutamente tudo para cá. O espírito dele mudou e muita coisa não cabe mais por aqui...

Mas algumas postagens foram e são especiais - mais do que isso, estão vivas e pulsando em suas ideias e em sua utilidade...!

Essa é certamente uma delas...

"Quando eu terminar de escrever essa postagem, já será o meu aniversário. O meu presente, esse ano, é voltar a escrever no blog...!
Depois de tantas idas e vindas, só sentei e comecei com o tema mais óbvio: ser mãe de dois.
Era preciso. Pensei nisso ouvindo "Hey Jude", uma canção que amo, em pé com Benício no seio, mamando, e Heitor agarrado às minhas pernas, "dançando" comigo. Benício não gostou (sabe-se lá o porquê) e começou a chorar. Heitor ficou ressabiado e saiu de perto. Ser mãe de dois, inevitavelmente.

Começarei dizendo o óbvio: enquanto Heitor crescia, eu me apaixonei loucamente por ele. Achava a criança mais inteligente, bonita e esperta do mundo. Heitor me fascinava completamente.

Quando engravidei, como todas as mães, me perguntei o que sobraria para o #2. Se o Heitor era a criança mais fascinante, linda e inteligente do mundo, quem seria o Benício? Como toda mãe, fiquei imaginando o sofrimento do pobre excluído, diante da família já formada à qual ele perguntaria: "tem lugar pra mim...?"

E no dia 04 do mês de novembro, 12 horas antes do fim do prazo estipulado pela médica para ele nascer, Benício decidiu que era hora de vir.

No momento em que olhei para ele, achei a resposta para as minhas dúvidas: cada viagem é única. Cada paisagem tem a sua beleza. Cada canção tem seu momento ideal, e cada cor tem suas nuances.

Cada filho seu é, sob certa luz, o mais bonito, o mais inteligente, e o mais fascinante. Ao mesmo tempo. Como Beatles e Rolling Stones (ao menos para mim). Excelentes, separados, cada um em seu momento; fascinantes juntos, em uma canção explosivamente colorida...!

O Benício não é o Heitor. Nada é mais do mesmo. Ele tem seus gostos, suas manias... Seus tempos e suas vontades. O segundo funciona do seu próprio jeito. Limpe os ouvidos do primeiro beat.

A novidade é que você ouve as duas canções simultaneamente. Como se ouvisse Mozart e Caetano Veloso, cada um tocando em um de seus ouvidos. Surtante? Talvez... Às vezes.

Em outros momentos, você terá uma excelente "Jam Session". Será como um expectador que, entrando em um bar desavisadamente às 02 da manhã, com mais dez mortais, ouviu o Eric Clapton tocar com o George Harrison uma canção inédita da qual eles esqueceram ao sair do bar... E você entrará em bares assim pelo resto de sua vida.

No dia a dia, todavia, você ouvirá, MESMO, Mozart e Caetano tocando ao mesmo tempo. E ALTO.

Mais ou menos assim:


  • Alguma força estranha fará com que ambas as fraldas se sujem simultaneamente, com vazamentos;
  • Quando um deles chorar, o outro costumará manifestar-se solidariamente no mesmo sentido;
  • Quando um deles quiser dormir, o outro decidirá que é uma boa hora para gritar (de alegria ou tristeza, whatever);
  • Quando você estiver segurando o termômetro do primeiro, o segundo cairá com a testa no chão;
  • Seu colo DEVE passar a caber dois;
  • Eles sempre adoecerão juntos;
  • Eles necessitarão ao mesmo tempo do mesmo brinquedo;
  • Ambos adorarão o meio da sua cama - agora sem espaço para dois...
E por aí vai...

Enfim, ser mãe de duas criaturas é amar imensamente dois seres tão diferentes e igualmente fantásticos, únicos; é descobrir (se é que você já não sabia) que o ser humano não tem uma só resposta para tudo, que a vida não pode conter um único caminho e o maniqueísmo e amor não se misturam. Você adora o preto e o branco, compreende o medroso e o corajoso, acha lindo o careca e o cabeludo, aceita o calado e o barulhento. Você se fascina com a diferença, com a complementariedade da diferença, entre os seres. Com a completude que resulta da combinação de dois acordes tão destoantes. Você descobre o verdadeiro sentido da palavra família, que tem cara de caos, mas combina-se em harmonia em uma canção deliciosa.

Ser mãe de dois é ouvir ópera e Rock 'n Roll a todo volume, tocando em diferentes alto-falantes. Ensurdecedor. Mas também é, "de repente, não mais que de repente", ver o barulho se transformar em  How Can I Go On, com o Freddie Mercury e a Montserrat Caballe (ou, segundo o papai, Nothing Else Matters, com o Metallica e a Orquestra Sinfônica de San Francisco!)".

E assim ainda é... Cada um com suas peculiaridades, cada um único e igualmente fantástico. A cada um deles, um tipo de amor; aos dois, o mesmo tanto de amor...

<3 <3 <3

Mamãe Inventa

Autora

Sou Helena, mãe de Heitor e Benício, duas criaturinhas mágicas no curso de seu quinto e segundo ano de vida, respectivamente, que fizeram de mim mais humana do que nunca, forte para matar mil feras e amável para cuidar de mil feridos. Sou mãe pelas vinte e quatro horas do meu dia. Desejo, incansavelmente, a paz mundial. Com gargalhadas.

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